A Polícia Federal solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal a suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria da investigação que envolve o Banco Master. O pedido foi apresentado na noite de quarta-feira (11), após inspeção realizada no celular do presidente da instituição financeira, Daniel Vorcaro, identificar menções ao relator e a outras autoridades com foro privilegiado.
O conteúdo das mensagens permanece sob sigilo. O material foi entregue pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Correio. Diante da requisição, o ministro Edson Fachin intimou Toffoli a se manifestar sobre o caso, com o objetivo de esclarecer eventual conflito de interesses.
Segundo apuração, os diálogos reforçariam suspeitas de possível relação próxima entre Vorcaro e o magistrado no contexto das investigações sobre o Banco Master. A atuação de Toffoli na condução do processo já vinha sendo alvo de questionamentos desde o início das apurações.
Suspeição de Toffoli
Em nota, o gabinete do ministro contestou o pedido de suspeição de Toffoli e afirmou que a Polícia Federal não teria legitimidade para formular a solicitação.
“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, diz.
A solicitação ocorre em meio a um ambiente de desgaste interno no Supremo. Além de críticas sobre recuos em decisões e alegações de interferência na autonomia da Polícia Federal, vieram à tona informações sobre vínculos entre familiares do ministro e pessoas ligadas ao Banco Master.
Reportagem do jornal Estado de S. Paulo apontou que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, teria realizado aportes financeiros em um resort pertencente aos irmãos de Toffoli. A revelação mobilizou parlamentares que defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso no Congresso, sob o argumento de possível conflito de interesses.
Outro episódio citado por críticos envolve viagem realizada em 29 de novembro, quando o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de um dos diretores do Banco Master, esteve em um jatinho particular ao lado de Toffoli para acompanhar a final da Libertadores, em Lima. À época, ambos afirmaram que “eram apenas torcedores” e que não trataram de assuntos profissionais durante o deslocamento.
O pedido de suspeição de Toffoli será analisado pela presidência do Supremo, que avaliará se há fundamentos para eventual afastamento do ministro da relatoria do caso.
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