A recente promessa de aliança entre o PSD e o PL para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 pode reverberar no jogo político nacional e abre um leque de possibilidades ainda pouco exploradas. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou recentemente que seu partido e o PL devem caminhar juntos no segundo turno das eleições presidenciais.
“Tenho conversado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), temos uma relação clara, entendimento claro que vamos caminhar no primeiro turno separados, mas seguiremos juntos no segundo turno”, afirmou o dirigente partidário, em entrevista à Jovem Pan, na última quinta-feira (5).
A declaração, embora trate diretamente do cenário presidencial, carrega implicações que vão além da disputa nacional. O resultado das eleições municipais de 2024, a presença nos Executivos estaduais com seis governadores e a bancada ampla no Congresso Nacional tornou o PSD a peça central nas articulações para 2026. A aproximação da legenda de Kassab com o PL tende a ser observada com atenção por lideranças regionais, especialmente em Estados onde as duas legendas já dividem espaços políticos ou mantêm canais abertos de diálogo.
Aliança PSD-PL agrada a base
Em Goiás, a aproximação é mais do que bem aceita pela base governista. Com a recente filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD, o partido saiu de coadjuvante a legenda de peso no grupo palaciano. E o chefe do Executivo estadual trabalha para uma aliança da base com o PL há tempos. O objetivo é colocar o partido bolsonarista no arco de siglas que vão apoiar o vice-governador Daniel Vilela (MDB) na disputa pelo Palácio das Esmeraldas em outubro e, de quebra, tirar um postulante da corrida eleitoral.
A sinalização de alinhamento nacional entre PSD e PL pode facilitar a aproximação entre a legenda bolsonarista e o grupo governista goiano. Apesar das particularidades do arranjo político de cada Estado, acordos e sinalizações na esfera nacional costumam servir de referência para a política local, especialmente quando se trata de alinhamento eleitoral.
A negociação para que o PL integre a base de Caiado e Daniel não é novidade. Uma ala dentro do partido defende a candidatura própria, do senador Wilder Morais, que é pré-candidato ao governo estadual, enquanto outra ala da legenda defende que o foco em conquistar espaço no Senado Federal precisa estar acima das pretensões de Executivos estaduais.
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Segunda vaga de senador
A tese de apoiar Daniel em troca da segunda vaga ao Senado, com o apoio do grupo palaciano ao deputado federal Gustavo Gayer (PL), é defendida pelo grupo do PL goiano que vê a Casa Alta como prioridade. A aproximação do PSD com o PL na esfera nacional pode reduzir o estímulo da legenda bolsonarista para a construção de uma candidatura própria ao governo. O movimento pode representar a construção de um campo político unificado em torno da sucessão estadual.
Mesmo em um partido capaz de bancar um projeto que mire o Governo do Estado, o senador depende do alinhamento partidário para viabilizar sua candidatura. Um PL integrado ao grupo governista inviabilizaria as chances da legenda em bancar uma disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
No cenário posto, o projeto de Wilder tende a enfrentar dificuldades adicionais. Mesmo em um partido capaz de bancar um projeto que mire o Governo do Estado, o senador depende do alinhamento partidário para viabilizar sua candidatura. A depender dos desdobramentos da relação entre PSD e PL, a disputa pelo Palácio das Esmeraldas pode ganhar contornos mais previsíveis.










