Recentemente em um condomínio da Capital goiana, vários animais domésticos apareceram mortos, com suspeita de envenenamentos. As mortes aconteceram entre o dia 4 de dezembro de 2025 e o dia 31 de janeiro de 2026, no bairro Residencial Brisas do Cerrado. Dos animais envenenados, seis gatos morreram, e apenas um cachorro sobreviveu após atendimento veterinário.
Em todos os casos, os pets apresentaram sintomas parecidos, como vômitos e pupilas dilatadas, sugerindo que todos podem ter sido envenenados com a mesma substância. De acordo com a síndica do condomínio, Mariana Rodrigues, o primeiro caso aconteceu com um gato de rua, que já era conhecido dos moradores. No dia 4 de dezembro, ele apareceu morto em frente a casa de uma moradora, porém acreditaram se tratar de um caso isolado e o corpo foi descartado.
“Quando foi no dia 5 de dezembro, essa mesma moradora (que encontrou o primeiro gato), relatou que a sua gata morreu com suspeita de envenenamento. Ela ficou muito triste e não quis levar para fazer autópsia, mas ela falou da suspeita de envenenamento por que a pupila estava dilatada e a gata apresentava espuma na boca”, relatou a síndica.
Na sequência, no dia 19, outro residente, que mora a três casas de diferença da primeira moradora, relatou que seu cachorro fugiu de casa e ao retornar começou a apresentar os mesmo sintomas que os gatos apresentaram. Imediatamente o tutor levou o animal ao veterinário, onde recebeu atendimento.
O especialista que prestou atendimento relatou uma suspeita de envenenamento por chumbinho. Após essa situação, o tutor realizou o Boletim de Ocorrência (BO). “No dia 6 de janeiro, outro gato apareceu morto. Esse gato não tinha dono, levei ele ao IML Veterinário e abri um boletim de ocorrência, relatando os outros casos que tinham acontecido”, acrescentou Mariana Rodrigues.
Nos dias 23, 29 e 31 de janeiro, outros três gatos foram encontrados mortos, todos com os mesmos sintomas. O animal encontrado no dia 31 também foi levado para autópsia. A síndica destacou a proximidade geográfica das ocorrências, todas aconteceram com uma diferença de cinco casas. De acordo com Rodrigues, os exames feitos no IML Veterinário, foram encontrados indícios de intoxicação, mas só será confirmado após um exame mais detalhado.
A delegada titular do Grupo de Proteção Animal, Simelli Lemes, informou que sua equipe esteve no local, onde colheu depoimentos das testemunhas. O laudo pericial ainda não foi concluído, mas a especialista confirmou a suspeita de envenenamento.
Casos de envenenamento em Goiás
Foto: Arquivo Pessoal
Segundo dados da Polícia Civil de Goiás (PC-GO), em 2025 foram registradas 200 denúncias por mês, em Goiânia. Os dados incluem agressões físicas, privação de água e alimento, confinamento inadequado, exploração, negligência veterinária e abandono em vias públicas.
A delegada Simelli Lemes explica que frequentemente ocorrências de envenenamento acontecem. “Esse ano já teve ocorrência de envenenamento, na mesma semana do outro caso.”
Esta ocorrência foi a morte de um cão comunitário na Capital e o desaparecimento de outro. Nesta situação, a comunidade alimentava e cuidava dos dois cachorros, quando eles pararam de aparecer. Um deles apareceu com sintomas parecidos com envenenamento e não sobreviveu, porém as pessoas descartaram o corpo.
Lemes aponta que uma das dificuldades das investigações é a falta de preservação do corpo para perícia. Isso acontece muitas vezes por desconhecimento, além disso muitas pessoas se recusam a testemunhar nos casos. Outro ponto levantado é a irresponsabilidade de alguns tutores, quando deixam os animais circularem livremente.
“O animal sem supervisão, quando sai e volta fica difícil a gente pesquisar onde teria acontecido, pois o animal poderia ter andado, duas, três ou dez quadras”, alerta.
Dessa forma, a delegada diz que uma posse responsável inclui manter o animal supervisionado dentro de casa, especialmente gatos, que são mais suscetíveis a envenenamentos. Por conta disso, é preciso entender que maus-tratos não está unicamente ligados a atos violentos, podem incluir omissão de cuidados, como não levar animais doentes ao veterinário, deixar animais com fome e o abandono.
A punição para quem pratica crimes de maus-tratos contra cães e gatos pode chegar até cinco anos de prisão, para animais não considerados domésticos, como vacas e cavalos, a pena pode chegar a um ano.
Na visão da delegada do GPA é importante trabalhar tanto com penas mais rigorosas, quanto na prevenção e conscientização sobre posse responsável. “Mais importante é trabalhar essa conscientização preventiva, sobre a responsabilidade. Muitas vezes quando chegamos para investigar uma denúncia as pessoas não tem noção, acham que maus-tratos é só bater”, finaliza.
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