O governo de Donald Trump anunciou a retirada de 700 agentes do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE) de Minnesota, após duas mortes e uma sequência de protestos contra a atuação da agência no estado. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (4) e reduz parcialmente o contingente enviado para a região, onde 3.000 agentes haviam sido deslocados para executar a política de repressão à imigração irregular. Segundo o governo, pouco mais de 2.000 agentes permanecerão em Minnesota.
O anúncio foi feito por Tom Homan, responsável pela política de fronteiras da administração Trump, enviado ao estado em meio à crise desencadeada pela morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes do ICE. Homan afirmou que a redução ocorre em razão de uma cooperação “sem precedentes” de xerifes eleitos que administram cadeias de condado.
“Para que fique claro, o presidente Trump tem toda a intenção de realizar deportações em massa durante este governo, e as ações de fiscalização da imigração continuarão todos os dias em todo o país”, disse Homan em uma coletiva de imprensa. “O presidente Trump fez uma promessa. E nós não demos nenhuma outra ordem”, acrescentou.
Thomas Homan (Foto: Gage Skidmore/ Wikimedia Commons)
Agentes do ICE usarão câmeras corporais
Em paralelo, o Departamento de Segurança Interna anunciou mudanças operacionais. Na segunda-feira (2), a secretária Kristi Noem declarou que o governo iniciou a distribuição de câmeras corporais aos agentes do ICE em Minneapolis, com previsão de ampliação do programa para outras regiões.
“A partir de agora, estamos distribuindo câmeras corporais para todos os policiais em serviço em Minneapolis. Conforme houver disponibilidade de recursos, o programa será expandido para todo o país”, disse Noem na rede X.
A iniciativa responde às manifestações registradas na cidade, onde ocorreu uma operação de grande escala para prender e deportar imigrantes sem documentação regular. Parte dos agentes já utilizava câmeras, mas não havia exigência de uso do equipamento.
Kristi Noem (Foto: Matt Johnson/ Wikimedia Commons)
Alex Pretti e Renee Good
Os protestos se espalharam por vários estados após a morte de dois manifestantes americanos baleados por agentes do ICE. Em Minneapolis, onde ocorreram as mortes, milhares de pessoas foram às ruas. Mobilizações em oposição à política migratória também ocorreram em cidades como Nova York e Los Angeles, reunindo cerca de mil pessoas em cada ato.
Uma das vítimas foi Alex Pretti, atingido por dez disparos em 24 de janeiro. Donald Trump o classificou como “encrenqueiro”. Na semana passada, o Departamento de Justiça informou ter aberto uma nova investigação sobre o caso, com foco na possível violação de direitos fundamentais, ressaltando tratar-se de um procedimento “padrão”.
Outro episódio citado por manifestantes é o de Renee Good, mãe de 37 anos morta por um agente do ICE em 7 de janeiro. Os irmãos de Renee Good prestaram depoimento no Congresso dos Estados Unidos na terça-feira (3), em audiência sobre o uso da força por agentes do Departamento de Segurança Interna.
“Nas últimas semanas, nossa família havia encontrado certo consolo pensando que a morte de Nee talvez pudesse trazer alguma mudança para o nosso país, mas não tem sido assim”, declarou um dos irmãos de Good, Luke Ganger.
“As cenas completamente surreais que ocorrem nas ruas de Minneapolis são inexplicáveis”, disse ele, durante a audiência no Congresso dos EUA. “E eu ainda não sei como explicar ao meu filho de quatro anos o que esses agentes estão fazendo quando passamos por eles”, completou o irmão de Renee Good.










