O Irã negou na segunda-feira (2) ter recebido qualquer ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para firmar um acordo nuclear, ao mesmo tempo em que confirmou a ordem para iniciar negociações com Washington em meio à escalada de tensões militares. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, durante entrevista coletiva.
Segundo ele, o Irã “é um país que sempre atua com honestidade e seriedade nos processos diplomáticos, mas nunca aceita ultimatos”. A fala ocorre em meio à elevação das tensões entre os dois países. Trump pressiona Teerã por um entendimento que limite o programa nuclear iraniano e reforçou a presença militar dos EUA no Oriente Médio, com o envio de mais de dez navios de guerra à região.
A liderança iraniana reagiu afirmando que qualquer ação militar dos EUA será interpretada como “o início de uma guerra”. Apesar do tom, Baghaei indicou avanço nos contatos diplomáticos. Ele disse esperar que o formato das negociações esteja definido nos próximos dias e afirmou que países árabes atuam como mediadores nas trocas entre os governos.
Do lado americano, Trump afirmou estar “otimista” sobre a possibilidade de um entendimento, mas manteve a ameaça implícita: “Esperamos chegar a um acordo. Mas, se não chegarmos, vamos ver o que pode acontecer”.
Foto: Divulgação/ Casa Branca
Mídia iraniana diz que as negociações podem começar em breve
A mídia estatal iraniana informou que autoridades dos governos podem se reunir nos próximos dias, em um encontro que pode representar uma reabertura diplomática após meses de impasse. Segundo a agência semioficial ISNA, as conversas poderão ser lideradas pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, com possibilidade de ocorrerem na Turquia, com participação do chanceler turco.
O histórico recente inclui rodadas de negociações indiretas realizadas em abril e maio de 2025, interrompidas após um ataque israelense em junho, seguido por ofensivas americanas contra instalações nucleares no país persa, que encerraram o processo de diálogo.










