O avanço de uma frente fria pela Região Sudeste do Brasil cria condições favoráveis para a organização da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e eleva o risco de tempestades em Goiás. De acordo com o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), o sistema estabelece um corredor persistente de umidade que mantém a instabilidade atmosférica ao longo da semana, com previsão de chuvas frequentes, acumulados elevados e possibilidade de eventos severos.
Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, a frente fria já avança pela altura de São Paulo e Minas Gerais, o que favorece a conexão de umidade entre a Amazônia, o Brasil Central e o Sudeste. “Tem aquela faixa contínua pelo menos até sexta-feira atuando aqui no Estado de Goiás trazendo chuvas, quase todos os dias. As chuvas são irregulares mas elas vão continuar acontecendo no decorrer desses próximos dias ”, explica.
O cenário aumenta o risco de transtornos tanto em áreas urbanas quanto no campo e nas rodovias. Entre os principais impactos estão alagamentos, enxurradas e transbordamentos de rios. Amorim relembra que, em episódios anteriores associados à ZCAS, foram registrados acumulados superiores a 200 milímetros em curto intervalo de tempo, o que resultou no transbordamento do Rio Vermelho.
O boletim do Cimehgo indica risco potencial para tempestades em 206 municípios goianos, com possibilidade de chuvas intensas, rajadas de vento acima de 50 km/h, descargas elétricas e queda de granizo. O aumento da nebulosidade deve atingir todo o Estado, elevando também os volumes diários de precipitação.
Em Goiânia, a Defesa Civil municipal atua em regime de plantão 24 horas diante da previsão de instabilidade. De acordo com o coordenador do órgão, Robledo Mendonça, a Capital possui 135 pontos críticos de alagamento, que recebem monitoramento prioritário.
Entre eles estão a Marginal Botafogo, a Rua 87, no Setor Sul, e a Avenida Gercina Borges, no Setor Vera Cruz. “A Seinfra tem trabalhado nesses locais para melhorar a drenagem e eliminar os riscos”, afirma.
A Defesa Civil municipal mantém atuação integrada com o Cimehgo por meio do Gabinete de Crise Climática, criado em janeiro de 2025. A estrutura permite troca constante de informações e resposta rápida em situações de emergência, com apoio da Guarda Civil Metropolitana em dias de chuva intensa. As orientações à população incluem evitar deslocamentos durante temporais, não atravessar vias alagadas, não estacionar veículos próximos a árvores e acompanhar os alertas oficiais. Em caso de emergência, os telefones 193 e 153 permanecem disponíveis.
Previsão de tempestades também geram alertas na agricultura
No campo, o cenário também exige atenção. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) alerta para possíveis impactos em culturas que estão em fase de implantação ou desenvolvimento. Segundo a subsecretária de Agricultura Familiar, Produção Rural e Inclusão Produtiva, Glaucilene Carvalho, lavouras de soja, milho, algodão, feijão, arroz, cana-de-açúcar e hortaliças estão entre as mais sensíveis neste período.
Na soja, especialmente em fases reprodutivas, ventos fortes podem causar acamamento e dificultar a colheita, enquanto o granizo provoca desfolha e compromete a formação dos grãos. No milho, há risco de quebra de colmos e espigas, principalmente durante o florescimento. Já o feijão e as hortaliças sofrem com o excesso de umidade, que favorece doenças e reduz a qualidade da produção.
“De forma geral, além dos danos diretos às plantas, o excesso de chuvas pode resultar em erosão, lixiviação de nutrientes e dificuldades operacionais para tratos culturais, enquanto ventos e granizo tendem a gerar prejuízos imediatos por injúrias físicas e redução do potencial produtivo”, continua Carvalho.
A Seapa acompanha o cenário meteorológico em articulação com o Cimehgo e orienta os produtores a planejar as operações agrícolas conforme as janelas climáticas, acompanhar boletins e adotar práticas de conservação do solo e da água. Entre as recomendações estão reforço da drenagem, controle de erosão, monitoramento fitossanitário e avaliação de estratégias de gestão de risco, como o seguro rural.
A previsão reforça que o verão é marcado por maior instabilidade climática em Goiás. Diante disso, órgãos estaduais e municipais mantêm o monitoramento contínuo e recomendam atenção redobrada da população e do setor produtivo aos alertas meteorológicos nos próximos dias.








