A paralisação anunciada pelos profissionais credenciados da saúde municipal de Goiânia se inicia nesta terça-feira (13), com uma das suas primeiras ações sendo uma manifestação em frente ao Centros Integrados de Atenção Médico-Sanitária (CIAMS) Jardim América, às 9h. A greve acontece por tempo indeterminado e deve impactar serviços básicos na saúde.
A mobilização foi anunciada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), após uma assembleia extraordinária realizada no dia 6 de janeiro. O movimento é motivado pela continuidade de problemas graves que comprometem tanto a dignidade do trabalho médico quanto a segurança da assistência oferecida aos cidadãos.
Na última sexta-feira (9), o Sindicato dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde do Estado de Goiás (Sindsaúde-GO), o Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de Goiás (Sinfargo), o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Goiás (Sieg) e o Sindicato de Enfermagem no Estado de Goiás (Sienf), deflagraram greve e se juntaram a movimentação iniciada pelo Simego.
Em nota enviada pelo Simego, a entidade vê que a adesão de outros sindicatos à greve vem de um esgotamento das condições de trabalho na saúde pública municipal. E que as reivindicações são básicas e “não se trata de privilégios, mas de condições mínimas para exercer a profissão com dignidade”.
Os profissionais credenciados buscam da prefeitura de Goiânia soluções para: salários atrasados, agressões nas unidades de saúde, falta de insumos, medicamentos e profissionais, além de condições precárias de trabalho. Segundo a categoria, essas situações causam grandes impactos negativos aos trabalhadores e afetam o atendimento à população, resultando em longas filas e espera prolongada.
As entidades sindicais explicam que a paralisação é uma reação à inércia das autoridades municipais em relação aos problemas apresentados e que os trabalhadores cobram do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) apenas o que é de direito.
Além dos problemas já apresentados, os profissionais também reivindicam a manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024 e a revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025.
Segundo os profissionais, o novo edital estabelece condições classificadas como inaceitáveis, ao prever a redução de até 35% nos honorários médicos e a imposição de jornadas consideradas exaustivas, com possibilidade de até 24 horas consecutivas de trabalho sem o devido período de descanso.
Ainda na nota enviada pelo Simego, a entidade explica que “não há qualquer negociação em andamento. A Secretaria Municipal de Saúde informou que pretende manter o edital como está, sem abertura para diálogo ou ajustes, apesar dos inúmeros alertas feitos pelos médicos e pelo sindicato”.
Mesmo com a greve, as partes envolvidas garantem que a legislação será cumprida para proteger a vida dos pacientes em estado crítico. Assim, os casos de urgência e emergência serão atendidos durante todo o período de paralisação.
Dessa forma, apenas os atendimentos ambulatoriais, consultas de rotina e procedimentos eletivos serão suspensos, sendo retomados quando as reivindicações da categoria forem atendidas pela prefeitura em sua totalidade
Posição da Secretaria Municipal da Saúde sobre a greve e o novo edital de credenciamento
Em nota ao O HOJE, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informou que os serviços essenciais, como urgência e emergência precisam ser mantidos em todas as unidades da rede que prestam este tipo de atendimento.
Sobre as mudanças com o Edital de Chamamento nº 03/2025, a pasta explica que “o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado e é embasado por estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia”.
Em relação ao dia do pagamento, a SMS pontuou que em ambos os editais, o pagamento de profissionais credenciados é previsto no 20º dia útil do mês subsequente e que não há atualmente repasses em atraso.
A secretaria ressaltou que os médicos que optam pela carga horária no momento da contratação e que o limite máximo de 24h está previsto na legislação brasileira.
Para finalizar, a pasta da saúde destacou que já realizou serviços emergenciais de manutenção em mais de 40 unidades de saúde, para melhorar as condições de trabalho dos servidores e que fez a entrega de mais de 3 mil novos móveis, em substituição a itens em péssimas condições.
Além disso, em 2025, reabasteceu a rede com mais de 200 tipos de medicamentos e insumos que estavam em falta nas redes de atenção à saúde e trocou a empresa responsável pelo serviço de higienização e fornecimento de materiais de limpeza nas unidades de saúde.
Motoristas da Rápido Araguaia paralisam atividades por atraso salarial
Motoristas da empresa Rápido Araguaia fizeram paralisação com bloqueio das garagens desde as 2h desta segunda-feira (12) – Foto: Reprodução/Redes Sociais
Motoristas da empresa Rápido Araguaia realizaram uma paralisação com bloqueio das garagens desde as 2h da madrugada desta segunda-feira (12), em Goiânia. O protesto ocorreu em razão do atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de dezembro de 2025. O protesto foi acompanhado pela Polícia Militar.
A paralisação foi confirmada pelo Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (Sindittransporte), que ingressou com uma ação trabalhista coletiva na 8ª Vara do Trabalho de Goiânia.
No processo, a entidade sindical solicita a concessão de tutela de urgência para obrigar a empresa a quitar imediatamente os salários, cujo prazo legal para pagamento terminou no dia 7 de janeiro, conforme estabelece a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Em decisão proferida na sexta-feira (9), o juiz Platon Teixeira de Azevedo Neto indeferiu o pedido de tutela de urgência.
O magistrado argumentou que, embora o salário tenha natureza alimentar, a medida solicitada apresenta elevado impacto coletivo e possível efeito irreversível, por envolver o pagamento a um número indeterminado de trabalhadores e gerar repercussões financeiras expressivas.
O juiz também considerou a alegação da empresa de que não possui condições financeiras de efetuar o pagamento imediato.
Diante da situação, a Justiça do Trabalho determinou a intimação urgente da Rápido Araguaia para que se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre o pedido do sindicato. Também foi determinada a comunicação do caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Em nota, a Rápido Araguaia informou que mantém diálogo com o sindicato da categoria e que a entidade não havia sinalizado a realização de paralisações.
A empresa afirmou que as negociações entre a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) e a Prefeitura de Goiânia avançaram, com expectativa de regularização dos repasses no início desta semana.
Ainda nesta segunda-feira (12), a Rápido Araguaia se reuniu com lideranças do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo de Goiânia (Sindcoletivo).
Em vídeo divulgado pelo sindicato após o encontro, os líderes afirmaram que os pagamentos seriam realizados ainda na segunda-feira, com um abono de R$ 40 no vale alimentação, que está previsto para ser depositado nesta terça-feira (13).
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