O domingo que deveria marcar encontros e despedidas de fim de ano terminou em luto para uma família inteira de Aparecida de Goiânia. Na manhã do último domingo (28), um grave acidente na BR-040, em Paracatu, Minas Gerais, matou todos os ocupantes de um carro com placas goianas.
Quatro pessoas da mesma família, entre elas duas crianças, morreram após uma colisão frontal. Uma das crianças ainda chegou a ser socorrida, mas não resistiu. A tragédia escancarou uma realidade cada vez mais frequente nas estradas. O trânsito tornou- se mais violento, especialmente em períodos de feriados prolongados.
O outro veículo envolvido no acidente, um T-Cross, também transportava quatro pessoas. Uma passageira morreu no local e as demais ficaram gravemente feridas. Informações preliminares da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que o carro teria invadido a pista contrária, provocando a batida.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, concessionária da rodovia, PRF e perícia atuaram no resgate e na apuração das circunstâncias. O episódio não foi isolado e se soma a uma sequência de acidentes graves registrados desde o Natal.
Natal marcado por mortes
Poucos dias antes, no início da noite do dia 25 de dezembro, outro acidente chocou Goiás. Na GO-164, em Firminópolis, uma colisão frontal entre um carro de passeio e uma caminhonete deixou cinco mortos, entre eles três policiais militares que estavam de folga.
Os soldados Robson Luiz Fortuna Filho, Renato da Silva Duarte e João Paulo Marim Guimarães morreram ainda no local, assim como a esposa de um dos militares. Um homem sobreviveu e foi encaminhado a um hospital em São Luís de Montes Belos.
A ocorrência mobilizou equipes de resgate por mais de quatro horas. Os bombeiros encontraram vítimas presas às ferragens, com politraumatismos incompatíveis com a vida. Os velórios ocorreram em diferentes cidades goianas, evidenciando a dimensão da perda para o Estado.
Os números confirmam que a violência no trânsito não se restringe a casos isolados. A Polícia Rodoviária Federal registrou, em todo o País, 2.252 acidentes nas estradas federais apenas no período natalino, entre 16 e 25 de dezembro. Ao todo, 2.638 pessoas ficaram feridas e 207 morreram.
Em Goiás, o balanço da Operação Rodovida – Natal 2025 revelou aumento na gravidade das ocorrências, com o número de mortes dobrando em relação ao ano anterior.
Imprudência, excesso de velocidade e álcool: um combo fatal de acidentes
Entre os dias 23 e 28 de dezembro, as rodovias federais em Goiás contabilizaram 52 acidentes, 48 feridos e oito mortes. No mesmo período de 2024, foram registrados 46 acidentes e quatro óbitos.
Embora o número de feridos tenha diminuído, o crescimento das mortes acendeu o alerta das autoridades. Para a PRF, o dado indica que os acidentes estão mais violentos, geralmente associados a comportamentos de risco.
Durante a operação, os agentes flagraram 2.300 motoristas acima do limite de velocidade e aplicaram 1.761 autuações. Entre as infrações mais comuns estão ultrapassagens proibidas, embriaguez ao volante e o não uso do cinto de segurança ou de dispositivos de retenção para crianças. Em trechos críticos, como a BR-060, em Anápolis, e a BR-153, em Jaraguá, a fiscalização foi intensificada diante do histórico de acidentes graves.
Além disso, no penúltimo dia de 2025, mais uma família perdeu a vida em um sinistro que reforça a gravidade do cenário. Na tarde desta terça-feira, 30 de dezembro, na BR-050, em Campo Alegre de Goiás, um carro saiu da pista, bateu contra uma defensa de concreto e caiu em uma ribanceira às margens do Ribeirão Paineiras. Quatro pessoas da mesma família morreram no local, incluindo dois filhos, de 14 e 9 anos. O impacto destruiu o veículo e exigiu trabalho técnico das equipes de resgate.
Detran-GO usa “Saldão de Caixões” para alertar motoristas no fim de ano
Diante do aumento expressivo das mortes e da gravidade dos acidentes, o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran) decidiu adotar uma estratégia direta e simbólica para chamar a atenção da população.
A campanha “Nessas férias, não dê trabalho para o coveiro”, popularmente conhecida como “Saldão de Caixões”, levou caixões a locais de grande circulação em Goiânia como forma de alertar sobre as consequências da imprudência no trânsito.
A ação foi montada em cinco pontos estratégicos da Capital: Cidade Jardim, Vila Brasília, Praça do Setor Nova Suíça, Região da 44 e na rotatória do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
Nos locais, caixões de diferentes modelos ficaram expostos à vista de motoristas e pedestres, criando um impacto visual imediato e provocando reflexão sobre o número crescente de mortes nas rodovias e vias urbanas.
Além da instalação simbólica, equipes do Detran-GO atuaram diretamente na abordagem educativa, distribuindo materiais informativos e orientando condutores sobre atitudes básicas que salvam vidas, como respeitar os limites de velocidade, evitar ultrapassagens perigosas, não dirigir após consumir bebida alcoólica e manter atenção total ao volante.
O presidente do Detran-GO, delegado Waldir, destacou que a proposta não busca chocar gratuitamente, mas conscientizar. Segundo ele, o excesso de velocidade, o consumo de álcool associado à direção e o uso do celular continuam entre os principais fatores que transformam acidentes em tragédias.
De acordo com o órgão, os meses de dezembro e janeiro concentram aumento significativo de ocorrências graves devido ao maior fluxo de veículos nas estradas e ao relaxamento de regras por parte de alguns motoristas. A campanha segue em Goiânia até os primeiros dias de janeiro de 2026 e já tem nova edição prevista para o período do Carnaval.
Enquanto isso, a PRF reforça a fiscalização para o feriado de Ano Novo, quando o tráfego deve aumentar ainda mais. As autoridades alertam: reduzir a violência no trânsito depende menos das campanhas e mais da mudança de comportamento de cada condutor.
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