Um ataque em grande escala da Rússia contra Kiev deixou ao menos 18 mortos e mais de 40 feridos na madrugada desta quinta-feira (28). A ofensiva atingiu diferentes áreas da capital ucraniana, com explosões que danificaram edifícios civis, incluindo a sede da delegação da União Europeia e o escritório do British Council, instituição cultural do Reino Unido. Autoridades ucranianas informaram que entre as vítimas estão quatro crianças, uma delas com apenas dois anos.
A administração militar da capital relatou que drones e mísseis atingiram sete distritos. O ataque é descrito como o mais intenso desde 31 de julho, com o disparo de cerca de 629 projéteis contra diferentes regiões da Ucrânia. Somente em Kiev, mais de 20 localidades foram atingidas.
A destruição do prédio da União Europeia levou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a se pronunciar nas redes sociais. Ela afirmou que toda a equipe estava em segurança, mas pediu que Moscou interrompa o que chamou de “ataques indiscriminados à infraestrutura civil”. Em Bruxelas, o bloco convocou o representante russo para prestar explicações.
A comissária europeia Marta Kos classificou a ofensiva como brutal e afirmou que a Rússia rejeita a paz ao optar pelo terror. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou que a agressão apenas reforça a determinação da União Europeia em apoiar Kiev. Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, David Lammy, também anunciou a convocação do embaixador russo, ressaltando que prédios britânicos foram atingidos.
O presidente francês Emmanuel Macron descreveu os ataques como bárbaros. Em publicação no X, Macron afirmou: “629 mísseis e drones em uma única noite sobre a Ucrânia: esta é a ideia de paz da Rússia. Terror e barbárie”. O vice-premiê da Itália, Antonio Tajani, expressou solidariedade à Ucrânia e às instituições da União Europeia, defendendo um esforço diplomático para garantir segurança aos cidadãos europeus.
Em resposta, Moscou sustentou que os bombardeios tiveram como alvo empresas ligadas ao setor militar e aéreo da Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou ataques deliberados contra civis e insistiu que Kiev também atinge infraestrutura russa. Segundo ele: “A Rússia continua interessada em continuar o processo de negociação para atingir nossos objetivos por meios políticos e diplomáticos”.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por sua vez, afirmou que a ofensiva foi uma resposta direta aos esforços internacionais por um cessar-fogo. Ele declarou que a Rússia escolheu mísseis em vez da mesa de negociação e que os ataques representam uma recusa à diplomacia. Para Zelensky, o bombardeio foi um recado claro a quem tenta intermediar a paz.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu novamente por um cessar-fogo. Segundo o porta-voz Stephane Dujarric, Guterres disse que é necessário um acordo com “que defenda totalmente a soberania, a independência e a integridade territorial da Ucrânia”.
As explosões em Kiev também atingiram o prédio do British Council, que anunciou a suspensão das atividades até segunda ordem. O governo britânico classificou o episódio como inaceitável e disse que seguirá pressionando por responsabilização internacional.
Enquanto isso, os esforços para uma reunião entre Vladimir Putin e Zelensky seguem paralisados. Diplomatas europeus discutem possíveis garantias de segurança a Kiev em caso de trégua, mas a escalada militar e a dimensão do ataque de quinta-feira afastam a perspectiva de avanços imediatos.
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