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Desmonte do CRDT deixa pacientes sem assistência e expõe fragilidade da saúde pública

Administrador Por Administrador
10 de junho de 2025
Em Cidades
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Desmonte do CRDT deixa pacientes sem assistência e expõe fragilidade da saúde pública

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O despejo do Centro de Referência em Diagnóstico e Terapêutica (CRDT) de Goiânia, por ordem judicial, escancarou o colapso da gestão pública da saúde na capital. Especializado no atendimento a pessoas com HIV/Aids, ISTs, tuberculose e hanseníase, o centro realizava mais de 3 mil atendimentos mensais e agora tem seu funcionamento interrompido por falta de pagamento de aluguéis, uma dívida acumulada de R$ 1,7 milhão desde a gestão de Rogério Cruz, mantida pela atual administração de Sandro Mabel.

Desde outubro de 2024, o Centro já operava com dificuldades: telefones cortados, pacientes obrigados a comparecer presencialmente para buscar informações básicas, como agendamento de consultas e exames. A situação culminou em um cenário de incertezas, com pacientes desorientados sobre a continuidade de seus tratamentos.

Na última quinta-feira (5), a Defensoria Pública do Estado de Goiás reuniu representantes da sociedade civil, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Legislativo e de movimentos sociais para discutir soluções. A partir do dia 9 de junho, parte dos serviços — como o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e o Serviço de Atenção Especializada (SAE) — será transferida para a Unidade Básica de Saúde da Cidade Jardim. 

Porém, a nova estrutura ainda não está adequada para receber esse público, carecendo de profissionais treinados e de espaços que garantam sigilo e acolhimento humanizado.

Durante a reunião, a Defensoria reforçou a necessidade de comunicação eficiente com os usuários, com busca ativa para reagendamento de atendimentos e acesso à medicação. A SMS prometeu dedicar o período matutino da Unidade Básica de Saúde (UBS) exclusivamente para os serviços do CRDT e afirmou que profissionais da antiga unidade estão sendo transferidos e capacitados para a nova demanda.

O coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria, Tairo Esperança, destacou que o órgão vai acompanhar de perto o processo e não descarta judicializar a situação, caso os direitos à saúde não sejam respeitados. A defensora Michelle Bitta reforçou a importância do planejamento para criar um novo espaço definitivo, à altura das necessidades do público atendido.

O caso do CRDT evidencia um padrão de desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), com impactos severos sobre populações vulneráveis. Para os pacientes, a mudança abrupta e a desarticulação dos serviços representam mais do que um deslocamento físico: é a perda da segurança e da continuidade no cuidado que muitas vezes garante sua sobrevivência

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