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Do conservadorismo à abertura: a evolução do papado de Francisco em relação aos LGBTQIA+

Administrador Por Administrador
24 de abril de 2025
Em Mundo
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Do conservadorismo à abertura: a evolução do papado de Francisco em relação aos LGBTQIA+

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Quando era cardeal na Argentina, Jorge Mario Bergoglio opôs-se veementemente ao casamento igualitário, chegando a chamá-lo de “movimento do Pai da Mentira” em 2010. Porém, desde sua eleição como papa em 2013, Francisco adotou uma postura mais inclusiva, marcada pela frase “Quem sou eu para julgar?” em referência a gays que buscam a Deus. Apesar de manter a doutrina católica — que considera atos homossexuais pecaminosos —, ele passou a enfatizar o acolhimento, condenando a discriminação e incentivando famílias a aceitarem seus filhos LGBTQIA+.

Gestos simbólicos, como receber um transexual espanhol e lavar os pés de uma detenta brasileira trans, contrastaram com documentos vaticanos que rejeitavam a equiparação entre uniões homoafetivas e o matrimônio heterossexual. Em 2020, uma declaração no documentário Francesco — onde Francisco defendeu leis de convivência civil para gays — foi rapidamente corrigida pela Santa Sé, revelando a tensão entre sua retórica pastoral e a rigidez doutrinária.

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A ambiguidade persistiu: em 2021, o Vaticano proibiu bênçãos a uniões gays, mas em 2023 o papa autorizou bênçãos informais a casais do mesmo sexo, desde que não confundidas com o sacramento do casamento. A medida, celebrada por progressistas e rejeitada por conservadores (especialmente na África), foi seguida de ressalvas: Francisco reiterou que a Igreja não pode aprovar tais uniões, mesmo defendendo que homossexuais não são “criminosos” e merecem respeito.

Recentemente, o papa gerou polêmica ao usar termos pejorativos como “viadagem” para criticar a presença de gays em seminários, mesmo pedindo desculpas posteriormente. Se, por um lado, ele nomeou um ativista gay para comissões vaticanas e condenou leis anti-LGBTQIA+, por outro, manteve a restrição a sacerdotes homossexuais ativos. Seu legado, portanto, é de contradições: avanços na linguagem pastoral, mas limites claros na doutrina — reflexo de uma Igreja em transição, pressionada por mudanças sociais e divisões internas.

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